Porto, 19 de Janeiro de 2012

Querido blog,

 Amar é também uma arte. Se arte implica criatividade e não tem limites, então o amor também se insere neste conceito abstracto. O amor perfila-se como uma tela branca que o tempo e a delicadeza de dois pincéis sincrónicos vão colorindo. Num primeiro momento, desdenham-se linhas ténues, cautelosas e tímidas na sua virgem descoberta. Posteriormente, estas amadurecem e engrossam, afirmando-se com soberania, confiança, conferindo o factor segurança ao que passa. Já não são dois pincéis enamorados que perfilam esta tela, agora um pouco mais vivida, não! De doces e jovens pincéis evoluíram à condição de trinchas robustas, imponentes nas pinceladas, marcando agressivamente a tela já não reconhecida. De branca passou a primaveril e a partir desta aqueceu, ficou nostálgica, fria e voltou ao ponto de partida. Dia após dia, a tela completa-se. As trinchas continuam o seu trabalho num fervor caótico. Repetem-se as cores, introduzem-se outras, inventam-se novas, se necessário. A tinta não se esgota, pode escassear, mas por milagre – ou pura casualidade – renova-se! Nada parece abalar estas trinchas, nem a inevitável rotina dos mesmos gestos, das mesmas cores, dos mesmos contornos, das mesmas formas… Nada! Fazem da tela uma pista de dança e juntas deslizam ao sabor de uma melodia melancólica, angustiante… E são felizes! Para trás deixam as marcas, traços da sua história, da sua existência que jamais algum tempo poderá apagar. Não há agua que as separe, não há armário que as arrume, não há martelo que as masse, não há serrador que as corte… O sentimento é forte e perante a imensidão deste, não há fita que o meça. Se amar não é uma arte, então o que é?

Abraços do,

Fábio Soares

Uma resposta para “”

  1. Ana Pedro Diz:

    Meu querido,

    Eu sei que tu escreves para o teu blog, mas eu sinto-me no direito de invadir essa tua privacidade e comentar o que aqui nos deixaste.

    Amar… Amar não é arte, não é lógica, não é fisica nem quimica, nem sequer negociação ou gestão. Amar é algo teu, meu, de toda a gente que ama ou já amou. Mas é apenas de quem experimentou essa sensação, de amar, na sua essencia; quando é verdadeiro e não apenas sentido superficialmente.
    Por mais que tentes explicar, é impossivel definir o que é esse sentimento tão puro, tão grandioso. O máximo que podemos fazer é ssenti-lo e, quando o perdemos, lutar por ele; porque quando é verdadeiro, vale a pena! Nao há causas perdidas no amor, a não ser que esse sentimento te esteja a consumir o coração, arrancando-o a sangue frio. Caso contrário, quando há coisas que apenas nao estão bem definidas, que ficaram por dizer/fazer, deve SEMPRE lutar-se por ele, porque (repito) vale a pena.
    No fundo, o Amor somos nós, juntamente com o que sentimos e a outra pessoa que está do outro lado que pode (ou não) sentir também. mas para o saber, é preciso vasculhar o amontoado de recordações, limpar o pó ás coisas que julgávamos esquecidas, puxar-lhes o lutro e confrontar o culpado quando uma dessas coisas se parte: “Foste tu que partiste? Porque?”
    Nunca te canses de procurar os motivos das coisas. Isso pode fazer a diferença :)

    Sei que tu, melhor do que ninguém, compreendes o que digo.

    Um beijinho muito grande, cheio de força e coisas boas.
    Gosto imeeeeeeeeeeeeenso de ti <3

    Ana Pedro.

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