Porto, 18 de Janeiro de 2012

Querido blog,

 Não sou um espectador assíduo da RTP, mas hoje este canal televisivo transmitiu uma reportagem muito interessante – a prostituição masculina. É de facto um tema controverso e polémico, diria mesmo, um taboo para a sociedade portuguesa, neste caso. Mas, contra tudo e contra todos, dois “profissionais do sexo” tiveram a coragem de dar a cara e falar abertamente sobre a questão. Embora estes dois jovens tenham tanto em comum, nomeadamente a profissão, o facto é que os motivos que levaram a exercê-la foram muito diferentes. O primeiro caso, com apenas 13 anos, fugiu de casa para não ter de sofrer mais violência doméstica de um pai alcoólico. Natural de Oliveira de Azemeis, refugia-se na cidade do Porto, a poucos quilómteros de distância. Relata que os primeiros tempos foram difíceis, dormindo na rua e passando fome. Vê a prostituição como uma solução rápida, mas certamente não esperava a diversidade de pessoas que iria encontrar pelo caminho e comenta que essa foi a parte mais assustadora. No entanto, habitua-se àquela vida em pouco tempo, vê o quanto pode ser lucrativa e no momento seguinte passa à condição de acompanhante de luxo, o que lhe proporcionou uma vida mais estável em termos financeiros. Não vê a prostituição como um emprego definitivo ou a longo prazo, na verdade, sonha em completar os estudos  – o 12º ano – e posteriormente frequentar o ensino superior. O segundo caso é um pouco diferente. Não foi vítima de violência doméstica, diz que sempre teve um bom ambiente familar, assim como teve tudo o que queria. A publicidade de um novo brinquedo na televisão rapidamente se transformava em realidade, pois o seu pai fazia questão de oferecer. A certa altura o pai promete-lhe que quando fizesse 18 anos oferecer-lhe-ia uma mota, no entanto, o destino pode ser tramado e o seu pai morre quando este apenas tinha 17 anos. Faz 18 anos e a sua mãe oferece-lhe um relógio, dizendo que não tinha possibilidades para algo mais valioso. Apercebe-se que a situação está realmente complicada e tem de começar a trabalhar. Entra no mundo da prostituição através de um amigo que lhe relata as suas experiências, mas acima de tudo, foca o seu factor lucrativo. Experimenta, gosta e decide continuar, acabando por se afastar da família. Natural do Brasil, decide continuar a frequência da profissão em Portugal, onde se encontra actualmente. Comenta que a prostituição lhe oferece um horário de trabalho flexível, a possibilidade de viajar – tendo conhecido 8 países à custa desta -, não tem um patrão para o aborrecer e por estas razões, futuramente, espera continuar a ser um “profissional do sexo”. No entanto, orgulha-se de ser dos poucos a pagar a Segurança Social. É, portanto, uma pessoa feliz. A análise destes dois casos suscitou-me dúvidas. Sempre fui da opinião que a prostituição era o caminho mais fácil para quem não queria trabalhar no duro. Afirmava mesmo que era até uma forma de juntar o útil ao agradável. O ser humano gosta de sexo, logo porque não o inserir numa profissão? Sinceramente, acabava por ser um pouco preconceituoso e conservador neste aspecto… Logo eu…  Hoje vejo que a prostituição não é de facto um caminho fácil de seguir, principalmente, pelos riscos inúmeros que acarreta. Ainda assim sou da opinião que existem sempre outras alternativas a este caminho, mas também constato que existem pessoas que gostam de o seguir, tal como este segundo caso que referi anteriormente. São opiniões, são gostos e como tal tenho de os respeitar. Admirei a coragem destes dois testemunhos em darem a cara, ainda que tal irá ter repercussões negativas, nomeadamente ao nível da discriminação. O ser humano consegue ser muito cruel quando quer. Contudo, espero que tal não aconteça. Por esta razão, estes dois jovens, além da minha admiração, ganharam o meu respeito. E vocês, leitores? Qual é a vossa opinião acerca da prostituição?

Abraços do,

Fábio Soares

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