Postado em (re)criar com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , em 23/01/2012 por mitocondria06

Porto, 23 de Janeiro de 2012

Querido blog,

 Há algum tempo atrás escrevia: “Eu sou apenas um rapaz com um gosto imenso pela Natureza e todos os seus fenómenos. Gosto de viver intensamente cada dia como se este fosse o último e, mesmo assim, sinto-me insatisfeito, pois gostava de o aproveitar mais e mais… Gosto de escrever e ultimamente tenho sentido especial vontade de o fazer, porém às vezes as palavras são tão limitadas para descrever tudo o que estamos a sentir naquele momento. Olho uma nuvem e sinto uma vontade imensa de me deitar nela, adormecer, acordar e apreciar a terra numa nova perspectiva… Sou um ser que às vezes não se reconhece pelas “partidas” que o seu pensamento lhe prega. A arte é algo que me fascina e liberta, por isso sou seu apreciador e tudo o que faço tem o único objectivo de a tentar atingir… Tentar, porque atingi-la acho que é impossível. O meu nome é Fábio Soares, tenho 18 anos, sou estudante e não gosto de falar sobre mim…”. Este foi o texto com que consagrei este espaço, o primeiro de muitos, mas este tem um significado especial. De vez em quando, dou por mim a lê-lo vezes sem conta e constato que muito mudou desde Fevereiro de 2009. No entanto, existem aspectos que permaneceram imóveis na minha pessoa. Continuo um apaixonado pela Natureza e todos os seus fenómenos, continuo a observá-la com atenção e a registá-la numa máquina fotográfica para não correr o risco de a esquecer. Os dias continuam a ser aproveitados de forma intensa, como se fossem os últimos, fazendo jus à velha máxima Carpe Diem, porém agora sinto-me mais adulto na forma como os aproveito – sou mais responsável, ou tento ser. Certas excentricidades/loucuras que em épocas anteriores faziam sentido, como, por exemplo, beber álcool até o organismo não aguentar mais, hoje em dia já não o fazem mais. Pelo menos já não as cometo com tanta frequência e assiduidade. Escrever continua a ser a única forma de expressar o que realmente sinto e por isso gosto tanto de o fazer. Curiosamente, vejo que este mês o estou a fazer com mais frequência, tal e qual como quando inaugurei este espaço. Houve momentos em que estive mais ausente e tal pode ser comprovado fazendo uma pesquisa rápida nos arquivos, mas agora –  e subitamente - a vontade de escrever voltou. Continuo um perfeccionista e a tentar atingir a perfeição, mas hoje estou ciente que este projecto é utópico. O perfeccionismo é traduzido na exigência, rigor e metodologia e, portanto, são estes três termos que me caracterizam. Mas nem sempre o resultado é o desejado. Sinto que muitas vezes sou mal interpretado e por essa razão opto por fazer o que quer que seja sozinho. A nível académico este adjectivo torna-se mais evidente. Já a nível amoroso, pode-se dizer o mesmo. Concluo desta forma que o ser perfeccionista muitas vezes é um defeito, que só alguns estão destinados a sê-lo e nesse sentido têm que arrecadar com as consequências. Mas porque não o ser? Qual  é o mal de querer as coisas bem feitas? Porque é que o perfeccionismo não se trata de um bem comum? Afinal, continuo a achar que é uma qualidade. A arte continua a fascinar-me, mas perante a sua imensidão cada vez me sinto mais inculto. Bem, e o que mudou? Continuo um estudante, porém num curso diferente. De Análises Clínicas e de Saúde Pública aventurei-me na Arqueologia, uma paixão antiga, mas sempre mal encarada pela sociedade. Contra tudo e contra todos rumei a Lisboa, onde me encontro actualmente a frequentar o último ano deste curso apaixonante e com tanto para desvendar. Sou feliz e não me arrependo da minha escolha motivada, acima de tudo, pela realização pessoal. A realização pessoal pode não colocar comida sobre a mesa, mas o esforço e o empenho de sermos bem sucedidos naquilo que escolhemos talvez coloque. Eu acredito nisso! Vejo que ainda há muito desconhecimento e ignorância em relação ao estado da Arqueologia em Portugal, mas este assunto será abordado mais pormenorizadamente num momento posterior… E o que mais mudou? Hoje, já gosto de falar sobre mim. Hoje, orgulho-me da pessoa que sou. Hoje, não deixo que me abafem. Tornei-me um verdadeiro independente, mas também mais frio e céptico em relação às pessoas. Sempre acreditei na bondade das pessoas, achava que o era geral, mas vejo que estava errado. Sei que as há, mas em minoria, infelizmente. A minha visão do mundo alterou-se, a inocência e ingenuidade perderam-se e tenho saudades desse tempo… Tantas saudades! Ó tempo, volta atrás!

Abraços do,

Fábio Soares

Postado em Saúde com as tags , , , em 21/01/2012 por mitocondria06

Porto, 21 de Janeiro de 2012

Querido blog,

 No passado dia 12 de Janeiro, tomei uma decisão: “vou deixar de fumar“. Já o tinha tentado anteriormente, mas a verdade, é que não tinha a força de vontade suficiente para largar este vício. “Eu gosto de fumar“, argumentava. Mas no dia 12 foi diferente. Enquanto calmamente me dirigi à varanda para fumar, reparei que já só me restava um cigarro e pensei “quem me dera que este fosse o último da minha vida“. E porquê? No espaço de três dias, comprei três maços de tabaco, o que, sem dúvida, é um exagero, principalmente no bolso. Fazendo as contas, em três dias gastei a módica quantia de 10,50€ – a marca que fumava custava 3,50€. No entanto, não foi só por esta razão que decidi largar o tabaco, mas também por questões de saúde, como é óbvio. Com apenas 21 anos, já tinha catarro, algo que frequentemente associamos a pessoas mais idosas. E não só. Também sentia menos resistência física. O acto de subir uma rampa deixava-me extremamente cansado, o que além de frustrante, era vergonhoso, tendo em conta a minha tenra idade. Fumar já não fazia sentido. Talvez há quatro anos atrás fizesse. Lembro-me bem porque comecei a fumar… Queria sentir-me integrado, estar na moda, experenciar o que as outras pessoas viviam, enfim. Os primeiros contactos com o tabaco foram caricatos, no sentido em que me sentia anestesiado, mais leve, mas também mais tonto. As gargalhadas eram inevitáveis, assim como a vontade de repetir aquela experiência. Os dias passaram e aquilo que era uma alegre experiência, rapidamente se transformou num vício impiedoso. Criaram-se rotinas: fumar ao acordar, após as refeições  e na presença de amigos. Todos os momentos eram pretexto para “puxar um cigarro“. As mãos sem um cigarro? Que estranho! O que fazer com elas? Às tantas o vício também se entranhava nas mãos. É triste chegar a esta condição e esquecermo-nos que um dia já fomos saudáveis e sabíamos exactamente como agir mas, acima de tudo, como divertir-nos. Quero retroceder e voltar a este tempo. Hoje, é o 9º dia sem fumar, estou contente, mas confesso que é muito difícil. Não pensei que o fosse tanto. É realmente preciso ter uma força de vontade enorme. No entanto, já se fazem sentir algumas consequências… Por exemplo, tenho mais apetite, o que é óptimo, visto que preciso de engordar uns quilinhos; respiro melhor; saboreio melhor os alimentos e o cheiro a tabaco já me faz alguma confusão. No entanto, não evito esta última condição, pois tenho de me testar. Quero que 2012 fique marcado por um estilo de vida saudável.

Abraços do,

Fábio Soares

Postado em Arte com as tags em 19/01/2012 por mitocondria06

Porto, 19 de Janeiro de 2012

Querido blog,

 Amar é também uma arte. Se arte implica criatividade e não tem limites, então o amor também se insere neste conceito abstracto. O amor perfila-se como uma tela branca que o tempo e a delicadeza de dois pincéis sincrónicos vão colorindo. Num primeiro momento, desdenham-se linhas ténues, cautelosas e tímidas na sua virgem descoberta. Posteriormente, estas amadurecem e engrossam, afirmando-se com soberania, confiança, conferindo o factor segurança ao que passa. Já não são dois pincéis enamorados que perfilam esta tela, agora um pouco mais vivida, não! De doces e jovens pincéis evoluíram à condição de trinchas robustas, imponentes nas pinceladas, marcando agressivamente a tela já não reconhecida. De branca passou a primaveril e a partir desta aqueceu, ficou nostálgica, fria e voltou ao ponto de partida. Dia após dia, a tela completa-se. As trinchas continuam o seu trabalho num fervor caótico. Repetem-se as cores, introduzem-se outras, inventam-se novas, se necessário. A tinta não se esgota, pode escassear, mas por milagre – ou pura casualidade – renova-se! Nada parece abalar estas trinchas, nem a inevitável rotina dos mesmos gestos, das mesmas cores, dos mesmos contornos, das mesmas formas… Nada! Fazem da tela uma pista de dança e juntas deslizam ao sabor de uma melodia melancólica, angustiante… E são felizes! Para trás deixam as marcas, traços da sua história, da sua existência que jamais algum tempo poderá apagar. Não há agua que as separe, não há armário que as arrume, não há martelo que as masse, não há serrador que as corte… O sentimento é forte e perante a imensidão deste, não há fita que o meça. Se amar não é uma arte, então o que é?

Abraços do,

Fábio Soares

Postado em As mitocôndrias também escrevem! em 18/01/2012 por mitocondria06

Porto, 18 de Janeiro de 2012

Querido blog,

 Não sou um espectador assíduo da RTP, mas hoje este canal televisivo transmitiu uma reportagem muito interessante – a prostituição masculina. É de facto um tema controverso e polémico, diria mesmo, um taboo para a sociedade portuguesa, neste caso. Mas, contra tudo e contra todos, dois “profissionais do sexo” tiveram a coragem de dar a cara e falar abertamente sobre a questão. Embora estes dois jovens tenham tanto em comum, nomeadamente a profissão, o facto é que os motivos que levaram a exercê-la foram muito diferentes. O primeiro caso, com apenas 13 anos, fugiu de casa para não ter de sofrer mais violência doméstica de um pai alcoólico. Natural de Oliveira de Azemeis, refugia-se na cidade do Porto, a poucos quilómteros de distância. Relata que os primeiros tempos foram difíceis, dormindo na rua e passando fome. Vê a prostituição como uma solução rápida, mas certamente não esperava a diversidade de pessoas que iria encontrar pelo caminho e comenta que essa foi a parte mais assustadora. No entanto, habitua-se àquela vida em pouco tempo, vê o quanto pode ser lucrativa e no momento seguinte passa à condição de acompanhante de luxo, o que lhe proporcionou uma vida mais estável em termos financeiros. Não vê a prostituição como um emprego definitivo ou a longo prazo, na verdade, sonha em completar os estudos  – o 12º ano – e posteriormente frequentar o ensino superior. O segundo caso é um pouco diferente. Não foi vítima de violência doméstica, diz que sempre teve um bom ambiente familar, assim como teve tudo o que queria. A publicidade de um novo brinquedo na televisão rapidamente se transformava em realidade, pois o seu pai fazia questão de oferecer. A certa altura o pai promete-lhe que quando fizesse 18 anos oferecer-lhe-ia uma mota, no entanto, o destino pode ser tramado e o seu pai morre quando este apenas tinha 17 anos. Faz 18 anos e a sua mãe oferece-lhe um relógio, dizendo que não tinha possibilidades para algo mais valioso. Apercebe-se que a situação está realmente complicada e tem de começar a trabalhar. Entra no mundo da prostituição através de um amigo que lhe relata as suas experiências, mas acima de tudo, foca o seu factor lucrativo. Experimenta, gosta e decide continuar, acabando por se afastar da família. Natural do Brasil, decide continuar a frequência da profissão em Portugal, onde se encontra actualmente. Comenta que a prostituição lhe oferece um horário de trabalho flexível, a possibilidade de viajar – tendo conhecido 8 países à custa desta -, não tem um patrão para o aborrecer e por estas razões, futuramente, espera continuar a ser um “profissional do sexo”. No entanto, orgulha-se de ser dos poucos a pagar a Segurança Social. É, portanto, uma pessoa feliz. A análise destes dois casos suscitou-me dúvidas. Sempre fui da opinião que a prostituição era o caminho mais fácil para quem não queria trabalhar no duro. Afirmava mesmo que era até uma forma de juntar o útil ao agradável. O ser humano gosta de sexo, logo porque não o inserir numa profissão? Sinceramente, acabava por ser um pouco preconceituoso e conservador neste aspecto… Logo eu…  Hoje vejo que a prostituição não é de facto um caminho fácil de seguir, principalmente, pelos riscos inúmeros que acarreta. Ainda assim sou da opinião que existem sempre outras alternativas a este caminho, mas também constato que existem pessoas que gostam de o seguir, tal como este segundo caso que referi anteriormente. São opiniões, são gostos e como tal tenho de os respeitar. Admirei a coragem destes dois testemunhos em darem a cara, ainda que tal irá ter repercussões negativas, nomeadamente ao nível da discriminação. O ser humano consegue ser muito cruel quando quer. Contudo, espero que tal não aconteça. Por esta razão, estes dois jovens, além da minha admiração, ganharam o meu respeito. E vocês, leitores? Qual é a vossa opinião acerca da prostituição?

Abraços do,

Fábio Soares

Postado em As mitocôndrias também escrevem! em 16/01/2012 por mitocondria06

Porto, 16 de Janeiro de 2012

Querido blog,

 A internet é de facto uma ferramenta que, além de útil, não pára de me surpreender. Hoje de manhã, enquanto calmamente lia as notícias do dia, descobri um blog muito interessante – Tal Como Tu. Tal Como Tu, trata-se de uma plataforma online que visa dar a conhecer em pormenor o HIV/SIDA no sexo feminino. Não, não se trata de mais uma plataforma que aborda apenas as questões clichés relativas ao HIV/SIDA. Tal Como Tu, apresenta um conceito inovador e empreendedor na abordagem deste problema que afecta milhares de pessoas em todo o mundo, sendo mesmo a maior causa de morte actualmente. Para o efeito são disponibilizados vídeos com testemunhos, onde estes relatam a seu dia-a-dia com o HIV/SIDA e não só… Relatam ainda como descobriram que eram portadores desta doença, que sintomas tiveram, como foi a reacção de familiares e amigos face a esta situação, a discriminação inerente a este problema, entre muitas outras coisas. Além da perspectiva dos doentes, temos também a dos profissionais de saúde, desde médicos, enfermeiros, enfim, toda uma equipa que se uniu para concretizar este projecto – uma plataforma online. Desde já, aproveito para felicitar a equipa em questão por este feito inovador, pioneiro, mas acima de tudo heróico. Três termos que estão intimamente ligados, a meu ver. Foram inovadores e pioneiros por não se limitarem a descarregar informação relativa ao HIV/SIDA, assim como não fazerem dela um “bicho de sete cabeças“, como se costuma dizer. Está bem claro nesta plataforma que o HIV/SIDA, embora não tendo cura, já é considerada uma doença crónica, podendo-se ter uma esperança média de vida bastante alargada e, acima de tudo, com qualidade. No entanto, esta condição está dependente da antecedência com que é feito o diagnóstico. E mais uma vez, esta plataforma alerta e encoraja para a realização do mesmo. É, portanto, uma lufada de ar fresco, no sentido em que constitui um porto de abrigo e de esperança para os doentes portadores de HIV/SIDA. E é heróico, porque não é fácil dar a cara – por razões óbvias -, mas esta equipa fê-lo. Quando falo em equipa considero os doentes como fazendo parte dela e convém salvaguardar isto. Ao fazer uma visita a este blog fiquei impressionado por todas as razões já apontadas, mas também pelo carinho e apoio que nos é transmitido, é como se de repente fizéssemos parte desta equipa, os conhecessemos… É tão pessoal, tão íntimo! Por esta e por outras razões é importante conhecer - e divulgar - este espaço, nem que seja para ficar um pouco mais informado(a) relativamente a este problema. Normalmente, temos tendência a pensar que este tipo de situações só acontecem aos outros, nós somos imunes, mas nada é mais erróneo e ignorante que este tipo de pensamento. A verdade é que o HIV/SIDA reside no edifício ao lado e qualquer dia pode visitar o nosso. Todos conhecemos alguém directa ou indirectamente que sofre deste problema: um familiar, um amigo(a), um vizinho(a), entre outros casos. Por esta razão temos a obrigatoriedade de nos informar e transmitir esse conhecimento a outras pessoas, mas acima de tudo elucidá-las para o uso de métodos contraceptivos. Por incrível que pareça, ainda existem muitos mitos, taboos e ignorância neste campo e para os conhecer basta fazer uma pesquisa rápida num qualquer motor de busca ou abordar directamente algumas pessoas. Ficarão incrédulos com os resultados, mas eles estão aí, infelizmente. Talvez seja utópico pensar na erradicação do HIV/SIDA, mas talvez não seja utópico pensar na sua prevenção, afinal de contas é simples. E apostando na prevenção, talvez mais facilmente se chegue à erradicação. Afinal, não são questões assim tão utópicas, basta a mentalidade humana progredir um pouco mais… Talvez possa parecer um pouco frio, cruel, mas não é essa a minha intenção definitivamente, apenas pretendo alertar e sensibilizar os que me lêem para esta situação. Em 1983, foi descoberto o primeiro caso público em Portugal portador deste problema e muito se avançou desde aí, nomeadamente, no que diz respeito a tratamentos. No entanto, nada parece intimidar os portugueses, o número de casos com HIV/SIDA aumentou exponencialmente – e de forma completamente assustadora – desde aí. As desculpas para este fenómeno são diversas, mas a principal é a “falta de informação“… Como é que é possível? Chego à conclusão que se calhar pouco se avançou desde 1983 e isso entristece-me.

Abraços do,

Fábio Soares

Postado em As mitocôndrias também escrevem! em 15/01/2012 por mitocondria06

Porto, 15 de Janeiro de 2012

Querido blog,

Hoje, decidi iniciar este meu texto de uma forma um pouco diferente da habitual. Sempre que entrava neste meu canto sentia a ausência de um toque especial num texto puramente corrido. Sim, faltava cor, brilho, criatividade, enfim, elementos caracterizadores do texto que no fundo evocassem a paixão que tenho em escrever. Por essa razão a partir de hoje e ao longo de todo o ano irei sempre iniciar os textos desta forma, com uma imagem antes. Na verdade, esta prática não constitui uma novidade, visto que já o fiz antes, contudo, decidi retomá-la. E porquê esta imagem? Ontem, vi um filme intitulado “Howl” (Uivo). Howl explora a poesia na sua vertente máxima e dele podemos extraír várias lições acerca de como redigir um poema. Mas a lição maior é muito simples: o poeta é um anarquista no uso da palavra. A palavra deve caracterizar o nosso pensamento, a forma como vemos e sentimos o mundo, as nossas sensações, experiências, dúvidas, enfim, uma panóplia de situações. Por esta razão, a selectividade fica ao critério de cada um e o valor literário é improvável, dependendo da sensibilidade do leitor. Não importa se as palavras num primeiro momento possam parecer obscenas, maldosas, ofensivas, agressivas… A obscenidade e a malícia são fruto do nosso pensamento, por isso só as vê quem quer. Importa sim, que estas caracterizem a nossa realidade. Este filme é, portanto, um convite à escrita e eis que urge uma tarefa interessante: pegar num papel e uma caneta e escrever tudo aquilo que nos vem à cabeça. O resultado pode ser bem divertido, mas é a sensação de liberdade/alívio que gratifica esta experiência. Há algum tempo atrás, realizei-a e fiquei estupefacto com o resultando… “Só penso em parvoíces“, comentei. No entanto, não me preocupo com isso, porque vejo que é geral, ou seja, 80% do nosso dia é destinado a pensar em coisas sem o mínimo interesse e utilidade prática. Mas é precisamente destas “coisas sem o mínimo interesse” que muitas vezes saem ideias geniais e é interessante pensar em como este encadeamento de pensamentos pode levar a conclusões brilhantes. De repente, senti-me tentado a escrever, mas também a ser anárquico e esquecer as críticas que daí possam advir. Penso que o problema de muitas vezes nos debruçarmos com escrita aborrecida, contida, tímida seja precisamente o medo das várias interpretações que diferentes leitores possam fazer. Por esta razão caímos no abismo do cliché, seguindo toda uma série de padrões literários e estereótipos, como se houvessem restrições à criatividade, à imaginação. Isto não faz o mínimo sentido! Se escrever é uma arte, porquê ter limites?! Recomendo, portanto, a visualização deste filme o quanto antes, pois explora – como já referi – a poesia, mas também o preconceito em relação à novidade (seja ela literária, ou não), a complexidade do ser humano e a homossexualidade. Vejo que cada vez são mais os filmes que abordam esta última questão, a homossexualidade, e fico muito contente, pois contribuem de forma instrutiva para a diminuição do preconceito. Talvez daqui a uns anos não seja utópico ver um casal homossexual a passear e a partilhar afectos livremente pelas ruas do Porto, Lisboa ou de qualquer outra cidade de Portugal, sem que ninguém lhes aponte o dedo e troce da sua condição. Talvez nesse mesmo dia também não seja utópico ver esse mesmo casal com um filho(a). Eu sonho com esse dia, e tu?

Abraços do,

Fábio Soares

Postado em As mitocôndrias também escrevem! em 02/01/2012 por mitocondria06

Porto, 2 de Janeiro de 2012

Querido blog,

De 2011 guardo tudo e nada. Estranhamente guardo os maus momentos, quando deveria ser o oposto, mas é compreensível, visto que foram aqueles que mais me marcaram negativamente e daí ainda estarem tão presentes… Recordo 2011 como um ano de mudança a todos os níveis, mas afirmaram-se mudanças significativas ao nível das amizades. Perdi algumas, ganhei outras. Não deixou de ser um processo frustrante, mas ao mesmo tempo uma aprendizagem… Houve momentos em que me senti incapaz de as fazer, embora tivesse necessidade de, mas consegui! Vejo que afinal os meus horizontes não eram assim tão longíquos e cometia o erro de me fixar apenas a poucas pessoas. O derradeiro momento acabaria por chegar, algumas desiludem-nos e de repente vemo-nos completamente sozinhos, desprotegidos, frágeis, à mercê de influências só para nos integrarmos um pouco que seja. A certa altura, não vivemos e apenas sobrevivemos. Foi assim que me senti há poucos meses atrás… Porém, tudo muda quando erguemos a cabeça e acreditamos no nosso potencial. Vesti a minha melhor capa e fui à luta. O resultado? Bem sucedido, algo que não me surpreende, eu sempre fui capaz, apenas me esqueci por momentos que o era. Não tardaram a chegar os bons momentos, mas como referi anteriormente são poucos os que guardo. De 2011, guardo um ano bem sucedido academicamente e espero que se mantenha em 2012. De 2011 guardo desamores e aqui não estranho, visto que nunca fui de grandes amores… Contudo, em 2012 espero continuar a não ser de grandes amores, mas apenas de um longo e duradouro amor! É o cliché, toda a gente o deseja, eu sei, mas a verdade é só uma: o amor motiva-nos e propicia-nos bons momentos! Espero que 2012 seja realmente melhor que 2011 e eu sei que só depende de mim, por isso vou fazer com que cada dia conte e seja recordado por toda uma vida.

Abraços do,

Fábio

 

Postado em As mitocôndrias também escrevem! em 21/11/2011 por mitocondria06

Lisboa, 21 de Novembro de 2011

Querido blog,

O momento não é o melhor para me dedicar à escrita. Não se trata de falta de tempo ou outra qualquer desculpa ao sabor da preguiça. É assim que me sinto ultimamente, preguiçoso, desmotivado, ausente, descrente. Enfim, sinto que o meu lugar não pertence aqui, preciso urgentemente de um “refresh” na minha vida. Seria óptimo haver uma tecla para o efeito, tal como acontece ao navegar na internet e esta se encontra mais lenta. Na realidade não sei o que me faz falta, mas sei que é qualquer coisa. Até o escrever deste texto me soa estranho e incoerente. Em suma, preciso de força, alguém me vende 1kg?

Abraços do,

Fábio

Postado em As mitocôndrias também escrevem! em 08/09/2011 por mitocondria06

Porto, 8 de Setembro de 2011

Querido blog,

O Verão está a terminar. As férias também e ainda bem. Já sinto falta de voltar a ter uma “rotina” e coloco este termo entre aspas, porque o facto é que a vida de estudante é tudo, menos rotineira. O próximo ano lectivo será o último e estranhamente – ou talvez não – a nostalgia já se começa a apoderar de mim. Nestes dias têm-me passado muitas imagens, momentos, vozes conhecidas – e até não conhecidas – pela cabeça. É uma espécie de rodapé muito sintéctico, muito rápido e muito doloroso. Com ele já ri e chorei de saudade. No entanto, não deixa de ser reconfortante analisar a minha evolução, o meu desempenho, a pessoa que era e a pessoa que agora sou – não me reconheço há três anos atrás. Bem, mas o Verão não serviu só para reflectir na vida académica, tenho a sensação que o aproveitei da melhor forma, fazendo jus à velha máxima “Carpe Diem”. Com o calor vêm os chamados amores de Verão, os quais não costumam ser de grande duração, mas em contrapartida são muito intensos. Valem o ano todo. Colocando as coisas desta forma, sinto-me algo vulgar, mas a verdade é que não o fui. O Verão de facto trouxe-me alguém, mas alguém muito especial, que me fez projectar um futuro e, acima de tudo, trouxe-me a vontade de trabalhar numa relação. Assim me encontro neste momento, com alguém que gosto muito e com vontade de lutar por algo que – agora sim – acredito. E porquê que acredito? Pela primeira vez senti o coração bater mais forte, não pensei, percebi que afinal até tenho atitudes românticas e ouvi uma voz que me disse exactamente o que queria ouvir “encontraste a tal pessoa”. Não levei muito tempo a conjugar todos estes sintomas e a perceber o meu diagnóstico: estou apaixonado. E eu que pensava que já me tinha apaixonado antes… Afinal não. Afinal, apenas senti atracção, desejo e este desejo era puramente carnal. É um pouco constrangedor dizê-lo, mas não deixa de ser bom admiti-lo e perceber que agora sei o que é estar apaixonado. É é bom, é muito bom. Os amores de Verão não têm de o ser no sentido literal da expressão. O óptimo é quando se iniciam no Verão e se prolongam por uma vida inteira. Não sei o que vai acontecer ao meu, nem quero pensar em tal coisa. A única certeza que tenho é que o vou aproveitar ao máximo, apenas sentir e não racionalizar em demasia. Agora sim, estou liberto da razão e preso ao coração. Há uns tempos atrás, se lesse este texto iria achá-lo chato e escrito por alguém lamechas. Hoje, acho que é dos textos mais bonitos que alguma vez escrevi, pois é sentido. Hoje, nem o som da TV me incomoda enquanto escrevo. Hoje, sou outra pessoa e com muitos – e acreditem que são mesmo muitos – objectivos. Sinto-me confiante, capaz de vencer o mundo e tenho a certeza que tudo vai sair como planeado. Poderia descrever-vos tudo aquilo que quero fazer, mas isso fica para outra altura. Um novo capítulo a estrear brevemente.

Abraços do,

Fábio

Postado em As mitocôndrias também escrevem! em 23/08/2011 por mitocondria06

Porto, 23 de Agosto de 2011

Querido blog,

Todas as histórias começam pela típica expressão – já muito demodé – “Era uma vez” e todas elas terminam com um final feliz. A minha não há-de ser diferente. No entanto, no enredo todas elas têm intempéries, obstáculos e aqui a minha também não será diferente. Estou ciente disso. É assustador e ao mesmo tempo frustrante tentar saber quais serão esses temíveis obstáculos, mas reconforta-me saber que os irei vencer. Assim espero. E em todas as histórias surge a inevitável pergunta “Como se deve proceder?”, “Será esta a decisão adequada?”, “E se não for?”… Bem, afinal são várias as questões, as inquietações, os tais dilemas da vida, as tais coisas que por mais conselhos gentilmente cedidos nunca nos trarão segurança. É assim que me encontro actualmente, um incompreendido. Cliché, arrogância, mania da superioridade, drama, diriam alguns, mas não. Esta é a pura verdade, aquela que muitos tentam ignorar, apaziguar com palmadinhas nas costas e algumas falsas palavras de conforto. Continuo a sentir-me incompreendido. Há que fazer mudanças, há que se adaptar face às circunstâncias actuais, há que lutar pela sobrevivência psicológica – um físico é fácil manter – há que… Sim, há que fazer muita coisa, mas tudo a seu tempo. E não é assim que uma mitocôndria num meio desfavorável age? Ou será antes uma bactéria? E não serão as duas semelhantes? Quem sabe! É tão bom camuflar a razão entre tanta incoerência lógica. Se isto é uma história, onde está o final feliz? Não há, pelo menos por enquanto. Dizem que a felicidade é feita de momentos. Talvez o meu chegue amanhã por correio. Talvez não chegue. Talvez já o tenha. Talvez o tenha guardado naqueles sítios secretos e agora não me recordo onde. Talvez esteja na porta ao lado. Talvez… Talvez… Talvez. Uma panóplia de possibilidades e todas elas ainda por desvendar. E ficaram felizes para sempre. Fim!

Abraços do,

Fábio

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