Porto, 23 de Janeiro de 2012
Querido blog,
Há algum tempo atrás escrevia: “Eu sou apenas um rapaz com um gosto imenso pela Natureza e todos os seus fenómenos. Gosto de viver intensamente cada dia como se este fosse o último e, mesmo assim, sinto-me insatisfeito, pois gostava de o aproveitar mais e mais… Gosto de escrever e ultimamente tenho sentido especial vontade de o fazer, porém às vezes as palavras são tão limitadas para descrever tudo o que estamos a sentir naquele momento. Olho uma nuvem e sinto uma vontade imensa de me deitar nela, adormecer, acordar e apreciar a terra numa nova perspectiva… Sou um ser que às vezes não se reconhece pelas “partidas” que o seu pensamento lhe prega. A arte é algo que me fascina e liberta, por isso sou seu apreciador e tudo o que faço tem o único objectivo de a tentar atingir… Tentar, porque atingi-la acho que é impossível. O meu nome é Fábio Soares, tenho 18 anos, sou estudante e não gosto de falar sobre mim…”. Este foi o texto com que consagrei este espaço, o primeiro de muitos, mas este tem um significado especial. De vez em quando, dou por mim a lê-lo vezes sem conta e constato que muito mudou desde Fevereiro de 2009. No entanto, existem aspectos que permaneceram imóveis na minha pessoa. Continuo um apaixonado pela Natureza e todos os seus fenómenos, continuo a observá-la com atenção e a registá-la numa máquina fotográfica para não correr o risco de a esquecer. Os dias continuam a ser aproveitados de forma intensa, como se fossem os últimos, fazendo jus à velha máxima Carpe Diem, porém agora sinto-me mais adulto na forma como os aproveito – sou mais responsável, ou tento ser. Certas excentricidades/loucuras que em épocas anteriores faziam sentido, como, por exemplo, beber álcool até o organismo não aguentar mais, hoje em dia já não o fazem mais. Pelo menos já não as cometo com tanta frequência e assiduidade. Escrever continua a ser a única forma de expressar o que realmente sinto e por isso gosto tanto de o fazer. Curiosamente, vejo que este mês o estou a fazer com mais frequência, tal e qual como quando inaugurei este espaço. Houve momentos em que estive mais ausente e tal pode ser comprovado fazendo uma pesquisa rápida nos arquivos, mas agora – e subitamente - a vontade de escrever voltou. Continuo um perfeccionista e a tentar atingir a perfeição, mas hoje estou ciente que este projecto é utópico. O perfeccionismo é traduzido na exigência, rigor e metodologia e, portanto, são estes três termos que me caracterizam. Mas nem sempre o resultado é o desejado. Sinto que muitas vezes sou mal interpretado e por essa razão opto por fazer o que quer que seja sozinho. A nível académico este adjectivo torna-se mais evidente. Já a nível amoroso, pode-se dizer o mesmo. Concluo desta forma que o ser perfeccionista muitas vezes é um defeito, que só alguns estão destinados a sê-lo e nesse sentido têm que arrecadar com as consequências. Mas porque não o ser? Qual é o mal de querer as coisas bem feitas? Porque é que o perfeccionismo não se trata de um bem comum? Afinal, continuo a achar que é uma qualidade. A arte continua a fascinar-me, mas perante a sua imensidão cada vez me sinto mais inculto. Bem, e o que mudou? Continuo um estudante, porém num curso diferente. De Análises Clínicas e de Saúde Pública aventurei-me na Arqueologia, uma paixão antiga, mas sempre mal encarada pela sociedade. Contra tudo e contra todos rumei a Lisboa, onde me encontro actualmente a frequentar o último ano deste curso apaixonante e com tanto para desvendar. Sou feliz e não me arrependo da minha escolha motivada, acima de tudo, pela realização pessoal. A realização pessoal pode não colocar comida sobre a mesa, mas o esforço e o empenho de sermos bem sucedidos naquilo que escolhemos talvez coloque. Eu acredito nisso! Vejo que ainda há muito desconhecimento e ignorância em relação ao estado da Arqueologia em Portugal, mas este assunto será abordado mais pormenorizadamente num momento posterior… E o que mais mudou? Hoje, já gosto de falar sobre mim. Hoje, orgulho-me da pessoa que sou. Hoje, não deixo que me abafem. Tornei-me um verdadeiro independente, mas também mais frio e céptico em relação às pessoas. Sempre acreditei na bondade das pessoas, achava que o era geral, mas vejo que estava errado. Sei que as há, mas em minoria, infelizmente. A minha visão do mundo alterou-se, a inocência e ingenuidade perderam-se e tenho saudades desse tempo… Tantas saudades! Ó tempo, volta atrás!
Abraços do,
Fábio Soares




